E ASSIM GIRA O MUNDO CORPORATIVO.

E ASSIM GIRA O MUNDO CORPORATIVO….

Participei de um evento como palestrante e meus colegas que ministraram suas palestras antes de mim, abordaram temas para que os empreendedores ,ali presentes ,aprendessem a orientar seus colaboradores de forma a proporcionar um excelente atendimento, executar suas tarefas com alta performance, entre outras dicas.

Quando chegou a vez de apresentar o meu tema aos futuros empreendedores, perguntei:

– Por que vocês querem ter o seu próprio negócio ?

As respostas são sempre muito parecidas em todas as palestras que ministro, refletindo o desespero, desconforto e inconformismo das pessoas com a situação:

– Para ter mais liberdade; para não ter mais chefe; para correr atrás do que eu acredito; cansei de ser liderado por alguém que é incompetente; meu líder não tem visão de futuro; não tenho oportunidade de exercer e demonstrar minha criatividade e capacidade de mudar as coisas; não sou reconhecido pelas minhas contribuições.

E voltei a perguntar, pois, sabia que ali se encontravam pessoas que eram, ainda, funcionários de empresas :

– Quantos de vocês já tiveram ou tem um líder que está segurando seu crescimento profissional ou que quase acabou com a sua carreira e sua vontade de trabalhar?

Levantaram a mão em unanimidade , o que não me surpreendeu.

A Gallup aponta estatísticas que revelam que 71% das pessoas que saem das empresas o fazem devido à problemas de relacionamento com seus líderes.

Não é meu papel crucificar os líderes. Minha intenção é que cada um, dentro do ambiente corporativo, assuma sua parcela de responsabilidade.

É inadmissível que Líderes reclamem de seus colaboradores afirmando que são descomprometidos, incompetentes, folgados, etc.

Quem foi que os contratou? Resposta: VOCÊ. Você fez a sua parte?: – orientou? treinou? avaliou? acompanhou?

Se você fez tudo isso e o colaborador não melhorou, por que não o demitiu?

Hoje o maior medo dos líderes é o de demitir pessoas e em segundo lugar, vem o medo de fracassar quebrando a empresa. Pode parecer difícil acreditar nesses dados, mas veja em sua empresa quantos líderes demitem, diretamente, seus subordinados? A maioria dos líderes , confortavelmente, envia os “inconvenientes” para o RH/DP executar a demissão e depois , não sabem explicar porque as rescisões vão parar nos tribunais.

A falta de respeito no ato da demissão gera mágoa que o funcionário demitido carrega e o faz pensar em retaliação contra a empresa.

Por outro lado, líderes que passam a mão na cabeça de fracassados – profissionais que insistem em apresentar desempenho medíocre- enviam mensagens aos demais colaboradores que todo esforço NÃO SERÁ RECOMPENSADO e assim, o desânimo se instala na cabeça de quem está dando o seu máximo pela empresa.

E você que é colaborador da empresa e só reclama de seu líder, já pensou em ter uma conversa franca com ele? Falar sobre suas competências ? Explicar porque aceitou ser contratado para trabalhar ? Quais eram suas expectativas quando foi contratado? Falar que está se sentido frustrado? Quais projetos pretende apresentar e que podem melhorar os resultados da empresa e que possam justificar um aumento de salário ou de posição?

O que vejo acontecer com mais frequência é a inanição- a paralisia. Repetem o mantra: “VAMOS DEIXAR COMO ESTÁ PARA VER COMO É QUE FICA. AS COISAS SE ACERTAM POR SI SÓ”.

Ambos os lados tem medo de assumir sua parcela de culpa e tomar uma decisão para resolver tamanha insatisfação.

Os líderes temem demitir e não encontrar mais ninguém à altura e dizem: RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE. Os colaboradores não enfrentam a situação frustrante, com medo de ficar desempregados.

E assim esse círculo venenoso alimenta a roda gigante das empresas que hoje perdem a grande oportunidade de conquistar quatro vezes mais resultados e de pagar melhores salários exercendo a meritocracia.

Para que as empresas parem de exportar seus melhores talentos e para que profissionais sejam felizes como empreendedores ou funcionários, precisamos todos reavaliar os atuais modelos de gestão que datam de 100 anos atrás.

Empreender deveria ser uma vocação e não, uma válvula de escape consequência de uma liderança opressora. Infelizmente, vejo muitos empreendedores , depois de um ano como proprietários adotarem os mesmos estilos de liderar que eles próprios, recriminavam.

Todos os dias aumenta o número de empreendedores que no Brasil se dividem , em minha opinião, em 3 categorias :

  • Empreendedores que tem uma ideia sensacional e querem ter um negócio
  • Empreendedores por necessidade que abrem um negócio às vezes na garagem da própria casa.
  • Empreendedores para sair da opressão das lideranças nas empresas

A terceira opção é uma fuga desesperada para sair das garras do opressor , mas, nem sempre, esse profissional tem perfil par ser dono de um negócio.

– E qual seria a solução, Marynês?

A curto prazo, realmente, não temos como mudar a mentalidade de gestores e donos de negócios que insistem em culpar os colaboradores pela falta de comprometimento.

Apenas 24 % das pessoas são, de fato, descomprometidas e almejam que a sua empresa imploda. As demais, entram com toda energia para a sua empresa e, em menos de 6 meses ficam inertes num canto, cansadas de lutar contra obstáculos instransponíveis e de ouvir dezenas de “nãos” e “faça a sua parte e esquece o resto.”

Se você é dessas pessoas que acreditam que todos são folgadas e que acordam dispostos a infernizar o dia dos demais e a apresentar o seu pior desempenho na empresa, afirmo que está completamente equivocado.

Salvo os psicopatas, todos querem realizar a sua melhor performance.

A neurociência já demonstrou que o cérebro humano é organizado de maneira a conquistar o sucesso e ficar distante do fracasso; sei que você deve estar pensando na enorme quantidade de pessoas fracassadas que conhece. Acredite, essas pessoas se esforçam muito para fracassar , mas, isso é conversa para outro capítulo. O cérebro humano é como um veleiro que aderna , mas, raramente vira e sempre corrige sua inclinação. Sucesso é o ponto de equilíbrio.

E o que acontece , então com os 62% dos profissionais que de acordo com a Gallup, nem são comprometidas, nem descomprometidas. Eu diria que são os EM CIMA DO MURO e fazem parte dos sobreviventes que batalharam em testes, entrevistas e dinâmicas para descobrir, após 6 meses, que a missão, visão e valores da empresa é apenas um quadro para decorar o saguão principal.

Quando os sobreviventes se dão conta do que está acontecendo, passam pelos 5 estágios do comportamento humano que aparecem diante de um obstáculos, uma crítica, bronca, uma decepção:

a) NEGAM: “não pode ser, devo estar equivocado, batalhei tanto para entrar nesta empresa. Acho que estou exagerando no julgamento.A empresa não é tão ruim quanto parece.”

b) RAIVA – “que idiotas, quem pensam que são”, “eu não sou cego”, “querem me doutrinar e que eu fique bonzinho” . Descobre que ali, de fato, não é o lugar que prometerem que seria no ato da contratação, sente-se enganado e traído pelas promessas que não se cumprem e fica furioso.

c) JUSTIFICATIVA – “se esse chefe for mandado embora, minha vida vai melhorar”; “a culpa é do fulano que não faz nada:”. Passa a culpar os colegas , o seu líder direto, acha que todos são errados, que ele está sendo perseguido, que ninguém o entende.

d) NEGATIVISMO – “essas pessoas me deixam para baixo”, “o dia está pesado”, “acho que não vai dar certo”, “muitos já tentaram, mas aqui é assim mesmo, não vai mudar”. Entra numa espiral de reclamações e críticas, fica chato e quase ninguém aguenta ficar ao seu lado e aos poucos vai ficando isolado.

e) DESISTÊNCIA– “quer saber, cansei, não vou mais me esforçar, de nada adianta”, “ninguém irá reconhecer o meu esforço” . Finalmente, “joga a toalha”. Chega a hora que ele cansa de reclamar e nada acontecer em seu favor e decide ficar quieto sem chamar muita atenção, apenas fazendo a parte dele , o básico para não ser mandado embora. Percebe que fazendo ou não o seu serviço, seu salário está garantido e que ninguém quer ouvir as suas ideias e projetos. Quem sabe um dia, ele se aposenta e sai daquele inferno. Ou monta seu próprio negócio, mas por hora, pensa ser melhor ficar quieto e entrar para as estatísticas dos 62% das pessoas no ambiente corporativo que em nada contribuem para o crescimento da empresa, pois, apenas oferecem básico para que a empresa sobreviva sem quebrar e possa pagar seus salários.

Esta realidade culmina com mais um dado: 85% dos trabalhadores se sentem infelizes e não realizados nas empresas que trabalham.

Os motivos são os mais variados, mas os principais são:

perderam a confiança no líder

  • perderam a confiança no líder
  • não são reconhecidos, nem elogiados
  • não recebem feedback sobre sua performance
  • sem perspectivas de crescimento
  • expectativas não foram atendidas e promessas não foram cumpridas
  • falta de equilíbrio entre a vida pessoa e profissional

E você deve estar se perguntando: e o salário?

É claro, que esta pesquisa pressupõe que as pessoas recebam o justo pelas suas performances e que as empresas distribuam os resultados por todos os colaboradores e não, apenas, entre os vendedores que apesar de importantes, não são os únicos responsáveis pelo sucesso da empresa. Se não tiver quem entrega o que o vendedor vendeu, creio que até eles irão concordar que a empresa quebra.

Ao final da minha palestra, os participantes, se aproximaram para dar os parabéns e , também, desabafar:

– Espero que essa realidade mude e farei o possível para me unir a você nessa sua missão.

Um outro participante de nome Naveed Khan, entrega seu cartão de visitas e descubro que ele é empresário e que estava ali para prestigiar um dos palestrantes, sua amiga:

– Investimos muita grana e tempo em MBA só para aprender como agradar os chefes e fazer apresentações.

Entendi, perfeitamente, o que ele quis dizer com aquilo. Sendo indiano e vindo de uma cultura e filosofia humanistas, imagino como deve se sentir enfrentando esta realidade da Era Industrial, onde ainda MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM TEM JUÍZO.

E , assim nos despedimos diante desta realidade que mudará, dependendo de cada um de nós colaborar com a transformação do ambiente corporativo.

Posso contar com você?

Quer me ajudar a fazer parte desta nova realidade que será excelente para todos nós?

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