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Show ou mudança de comportamento? Pirotecnia em palestras.

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Hoje , um fato inédito ocorreu e serve de alerta a você que é do RH e contrata palestrantes. Um vendedor de uma grande empresa passou por treinamentos motivacionais. Andou sobre brasas e teve que dançar a música da “eguinha pocotó”. Queimou os pés e teve que ficar fora do ambiente de trabalho até se recuperar da lesão. Decidiu processar a empresa pelo constrangimento que passou. Esta matéria passou no noticiário da TV, este vendedor disse:

– Para vender não preciso andar sobre brasas, nem me expor ao ridículo.

Venho alertando alguns palestrantes para o excesso de show pirotécnico, dancinhas e demais estratégias que usam para “motivar e desafiar” os participantes de treinamentos, mas que não tem finalidade alguma. Nos EUA existe uma divisão que creio será, em breve, implantada em nosso país que é a seguinte: Entretenimento/ Show e Treinamento com Conteúdo.

Acredito que se o contexto é festinha de final de ano ou a empresa pretende fazer um show sem se preocupar com o conteúdo e conhecimento, deve contratar entretenimento. Neste caso, pode até usar esses recursos como um momento de comemoração, descontração – contratar mágicos, músicos, circo e até palestrantes show que dão dancinhas, aeróbica, etc, pois, está claro que o objetivo é divertir e relaxar o pessoal. Ninguém vai se sentir ridículo, por exemplo.

Mas se o objetivo da empresa é comprometimento, resultados, mudança de comportamentos, etc, existem muitos recursos como jogos, mágica e até as “dancinhas” que podem ser usados, desde que seguidos por reflexões dos participantes ou debriefing , onde o palestrante associa a prática com a teoria e assim, cada um pode expressar suas dificuldades e o palestrante associar o jogo ou exercício ao dia a dia da empresa.

Para fundamentar o que estou falando, você precisa entender alguns pontos:

  1. Ninguém motiva ninguém. A motivação ocorre de dentro para fora. Ocorre quando a pessoa entende o cenário em que está inserida, reflete sobre os aprendizados e amplia seus horizontes em termos culturais e de conhecimento. Os eventos festivos dão muita energia, as pessoas choram se abraçam, mas depois de alguns minutos voltam ao normal e não levam isso para o ambiente de trabalho. A mudança só ocorre através de ação com mudanças de comportamentos que devem ocorrer.
  1. Não existe transferência de aprendizagem . Se você quer correr maratona, não adianta treinar remo. As situações que ocorrem no dia a dia da empresa ,como por exemplo: aguentar pressão, cumprir prazos, entre outros, são muito diferentes das situações que ocorrem em um treinamento de sobrevivência na selva. Mesmo que nesse treinamento tenham que cumprir prazos e aguentar a pressão. O cenário é bem diferente do cenário da empresa e outros fatores afetam as nossas decisões. Posso colocar o seu melhor Líder – aquele que é assertivo, toma as melhores decisões e tem grandes resultados – em uma selva para um treinamento e ele pode não conseguir liderar a equipe de forma equilibrada e assertiva, como faz no escritório. Isso não quer dizer que ele não seja um bom Líder. Quando o cenário muda, o cérebro responde de forma, completamente, diferente. Por isso que em situações de emergência , como num acidente, nem sempre quem assume a responsabilidade em solucionar o problema é a pessoa mais assertiva ou corajosa da empresa. Para você ser bom em alguma coisa tem que treinar mais de 10.000 horas para aprimorar uma competência. Existem várias pesquisas sobre essa teoria das 10.000 horas e no caso da Liderança, por exemplo, seria, aproximadamente levar 10 anos treinando as competências para se tornar um excelente Líder.

Portanto, a próxima vez que você for contratar um treinamento pense se você quer “festinha” ou se quer mudança de comportamento e faça a sua escolha com maior consciência.