Como faço para ser contratado?

Alguns colegas palestrantes me perguntam:
– como faço para ser contratado?
Responderei baseado nos princípios que acionam e motivam o cérebro de qualquer humano, inclusive de seus contratantes:

  1. Pare de se apresentar de graça. GRATUITO SÓ SE FOR ONG. Sempre vão lembrar de você como o profissional GRATUITO e isso quer dizer que a pessoa não lhe valorizará. Hoje existe uma indústria no mercado que contrata palestrantes para eventos e nada pagam pelos serviços e estão se dando super bem , pois, parece não ter fim a quantidade de gente que se submete a isso. Quanto maior a demanda em qualquer área, menor a valorização, isso porque o cérebro humano dá preferência e valoriza o que é escasso, difícil de encontrar , o que está indisponível. Os organizadores ganham e você, não. Justo? Não. Existem profissionais tão desesperados que topam qualquer experiência achando que dessa forma será contratado, futuramente. Ledo engano. A estratégia do “de graça” , seja na área que for , só funciona, se houver compromisso futuro de contratação. Por ex.: você aceita ministrar uma palestra gratuita num determinado evento com a garantia de que será contratado, caso contrário, agradeça e decline para seu próprio bem.
  2. Posicione seu conteúdo – pare de dar tiro para todo lado. NINGUÉM SABE TUDO. PESSOAS DESCONFIAM. Alguns profissionais acham que se falarem sobre tudo terão mais chances de ser contratado, mas isso está errado. O cérebro humano consegue se concentrar e focar em um assunto, profundamente, e temas relacionados (até 3) . Um leque muito grande de opções de temas, demonstra superficialidade e isso, afasta seus contratantes.
  3. Tenha um preço justo pelos seus serviços. BARATO = RUIM, DE BAIXA QUALIDADE. Essa é a mensagem que você, também, como cliente, percebe automaticamente. Seu cérebro quando você compra um produto ou serviço irá comprar o mais caro, se você tiver condições de pagar. Claro, que se duas coisas são iguais, sem diferencial algum, você optará pelo mais barato. Numa área como a do conhecimento, os investimentos na profissão são altos, ou pelo menos deveriam ser. O profissional precisa ler, fazer cursos, estar atualizado com tendências, contratar um coaching para lhe assessorar, estar bem arrumado, viajar e ter cultura geral. Deve ser um expert na área que se propõe a falar , pelo menos em relação a quem lhe contrata, pois, deve levar uma solução para os problemas do cliente. Nestas condições como um profissional pode ter preços baixos pelos seus serviços? Você até pode responder que consegue cobrar barato e que ganha aumentando o volume de trabalho. Nesse caso, acabará exausto e sem tempo de estudar e descansar e assim, o cérebro começará a se fechar para a inovação e cairá na “mesmice”.
  1. Santo de casa não faz milagre – a sua empresa sempre vai contratar gente de fora, isto é, mesmo que você seja competente para falar sobre determinado assunto. Quantas vezes, antes de ministrar a palestra ou treinamento que fui contratada, tive conversas com o Diretor ou Gerente de RH da empresa que fez questão de demonstrar que é tão bom em termos de conhecimento quanto eu. E com certeza, muitos são mesmo. Essa tentativa de justificar o fato de ser eu e não ele que ministrará a palestra demonstra essa insatisfação e , acredito que muitos deles se sintam menosprezados e desvalorizados. Mas , se for esse o seu caso, quero remover da sua cabeça essa hipótese. Até você deve comprar artigos importados e achar que são melhores que os nacionais, por exemplo, não é mesmo? E assim é o cérebro humano, acredita que a “grama do vizinho é melhor”. Por outro lado, a visão de fora e sem envolvimento emocional, político pode, sim, agregar à empresa. Para quem assiste à palestra, ficará a sensação de que o discurso não é “encomendado”, mesmo que na maioria das vezes , não o seja, as pessoas sempre olham desconfiadas quando o gerente ou diretor apresenta recomendações, sempre acham que é tendencioso.

 

Minha intenção aqui não foi lhe julgar, mas creio que alertar para a valorização de profissionais do conhecimento, pois, cada vez mais, os contratantes das empresas reclamam do baixo nível intelectual, cultural, estratégico e de conhecimento dos palestrantes e isso, com certeza é reflexo da mediocrização que vem ocorrendo em algumas profissões como a de palestrante, coach e consultor em que bons profissionais sofrem com práticas equivocadas de profissionais imaturos e despreparados.

 

Boa sorte.

plateia

Compartilhe:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

2 ideias sobre “Como faço para ser contratado?

  1. Leni Lourenço de Oliveira

    Sou um palestrante em início de carreira. Achei excelente o post. Sou professor (com Mestrado e Doutorado em Comunicação, Letras e Semiótica) há 30 anos, escritor, psicanalista e fiz, há dois anos, um curso para poder atuar como palestrante motivacional. Criei um site, estou postando vídeos no facebook youtube, abri uma empresa com CNPJ, estou fazendo marketing boca a boca, contratei duas funcionárias (uma delas insiste para eu dar palestras gratuitas para adquirir experiência… e quando discordo ela fica uma fera) para cuidar da minha rede social e marketing bem como prospecção, estou escrevendo um livro sobre motivação e relacionamento interpessoal mas, até agora, TODAS as portas estão fechadas para mim. Queria um conselho: O que fazer para ser contratado? Onde estou errando? Gostaria muito de tua ajuda e teu aconselhamento. Do Prof. Dr. Leni Lourenço de Oliveira.

  2. Marynes Pereira Autor do post

    Leni, esse caminho está correto, sim, mas demora a dar resultados, às vezes 2 anos até você ser conhecido, mas não desista, e a forma que você descreve seus serviços, veja se está atingindo seu publico alvo, quem é o seu cliente?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *